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A mulher e seu espaço no campo

Mulheres do Assentamento São Manoel - Foto Senar-MS

É inquestionável o espaço que a mulher tem conquistado ao longo dos anos. Hoje, ela divide seu tempo entre trabalho, casa, família e amigos. Mesmo assim, em pleno século 21, essas mulheres ainda sofrem com a discriminação, por isso, todos os dias elas lutam em busca de reconhecimento. E no campo não é diferente.


Até pouco tempo atrás, o que se presenciava na área rural eram mulheres que se dividiam entre os afazeres de casa – cozinhando, lavando e limpando –, e o cuidado com os filhos e maridos. Uma realidade que vem mudando e um bom exemplo é o Grupo de Produção Sustentável do Assentamento São Manoel, que fica no município de Anastácio. Há cinco anos, esse grupo liderado por mulheres viu na produção do fruto do Cerrado uma forma de sustento para a família, além do seu empoderamento.


Quem conta essa história é a coordenadora do grupo, Maria Lúcia de Moraes Lima. O grupo hoje conta com 20 pessoas – são famílias inteiras que vivem das castanhas e produtos derivados do cambaru, pequi, jatobá e bocaiúva, além da produção das hortaliças.


“As mulheres estão à frente deste grupo, são elas que colocam a mão na massa. Muitas das suas famílias, incluindo maridos e filhos, perceberam a relevância deste trabalho e hoje ajudam e apoiam o grupo. E o que a gente percebe com essa mudança? Essas mulheres agora têm elevada auto-estima, se sentem importantes na sociedade e na sua família, já que sustenta a casa”, comenta a coordenadora do grupo.


Maria Lúcia conta que para chegar a essa realidade, além do apoio de governos e instituições, as mulheres precisaram “arregaçar as mangas” e ir à luta: “claro que isso ainda é muito pouco, ainda é preciso reconhecimento por parte da sociedade, que apesar dos avanços, ainda nos discrimina”. Na luta para ocupar seu espaço, neste dia internacional da mulher, essas mulheres participaram ao lado de movimentos sociais de uma passeata na cidade de Maracaju.

Mulheres do Assentamento São Manoel - Anastácio, MS

Quem acompanha de perto a produção rural consegue perceber com mais clareza as transformações. Norma Freitas é agente de serviços socio-organizacionais da Agraer e diretora de organização e política sindical do Sinterpa. Há 28 anos na mesma função, ela conhece a realizada no campo e afirma que na área rural dá para sentir o grau de evolução das mulheres. “As mulheres só “serviam” para ajudar seus maridos na hora de tirar o leite. Atualmente, além de tirar o leite, elas gerenciam e administram a produção e comercialização dos produtos da propriedade”, diz Norma.


Para Tânia Regina Mello Minussi, coordenadora da Unidade Técnica do Crédito Fundiário da Agraer e Diretora de Finanças do Sinterpa, sendo a mulher a maioria da população ativa brasileira, a sua participação é fundamental para definição dos rumos do País, tanto econômica quanto politicamente. “As mulheres têm sido expressivas em sua participação na atividade rural, visto que são, na maioria das vezes, responsáveis pela produção, pela unidade produtiva familiar e ainda, muitas vezes, provedoras. Isso acontece há muito tempo, mas só recentemente a mulher rural começou a ter seu trabalho valorizado”, comenta.


Agraer

As conquistas do campo nem sempre se refletem em outros setores da sociedade. Quando se fala do reconhecimento feminino no âmbito da Agraer – Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural – essa realidade não é tão positiva. Segundo a servidora Norma Freitas, o espaço é limitado, irrelevante diante do número de mulheres que compõe o quadro de funcionários da Agraer.


“As mulheres da Agraer só conquistaram o avanço através dos estudos: graduação, pós, mestrado e doutorado. Mesmo assim, não tem o merecido reconhecimento na instituição, principalmente, quando se fala na indicação das gerencias”, reconhece Norma. Mas é neste momento que entra o trabalho do Sinterpa, que dispõe de uma Assessoria Jurídica à disposição das associadas, além de formular e debater o plano de cargo e carreiras.


Norma também deixa claro que é percebido que não há um diferencial tratamento às servidoras da Agraer, mesmo elas desenvolvendo as mesmas atividades e funções que os técnicos. “Por isso, as buscas por seus méritos não devem ser paralisadas ou abortadas pelo desânimo, o descrédito e a má vontade. Que as mulheres não caiam no confronto com os homens, no delírio de quem pode mais, de quem é mais forte. Que a delicadeza, o instinto e a sensibilidade feminina prevaleça a “força”masculina”, conclui Norma.

Por Assessoria de Comunicação

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