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Os impactos da operação Carne Fraca na agropecuária brasileira


A operação Carne Fraca, deflagrada na sexta-feira (17) pela Polícia Federal, sacudiu o Brasil e o setor do agronegócio. Depois do furação da ação, que colocou em "cheque" os produtos de origem animal produzido no país, diversas autoridades do segmento rural e até especialistas se posicionaram de forma crítica ao modo de divulgação da investigação da PF. "A PF foi irresponsável. Acho que existe pontualmente algo muito real e que tem de ser penalizado, mas é menor do que foi apresentado. Por ser menor, me preocupa o estrago que possa provocar", afirmou o pecuarista e vice-presidente da Sociedade Rural Brasileira, Pedro de Camargo Neto, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo.


A mesma opinião foi compartilhada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA, que em nota considerou lamentável a denúncia de que alguns dos principais frigoríficos do país, com o apoio de uma rede de fiscais agropecuários do Ministério da Agricultura, estariam envolvidos num esquema de venda ilegal de carnes ao consumidor. Mas a CNA defendeu na nota que os fatos sejam apurados e que os envolvidos sejam exemplarmente punidos.


"Os produtores rurais têm dado uma grande contribuição ao desenvolvimento nacional. Geram emprego, renda e alimentos de qualidade para a população. Portanto, não é justo que tenham a sua imagem maculada pela ação irresponsável e criminosa de alguns", declarou na nota assinado pelo presidente da Confederação, João Martins da Silva Junior.


A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) e a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) criticaram a maneira como a PF divulgou os resultados da operação Carne Fraca. "Passou uma imagem generalizada de que tudo no Brasil é ruim, e não é isso", afirmou Francisco Turra, da ABPA.


Até o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, fez críticas à divulgação feita pela PF e apontou erros no relatório. “Sobre papelão, está claro, no áudio, que estão falando de embalagem e não de misturar na carne”. Afirmou também que o uso de ácido ascórbico (vitamina C) e de carnes da cabeça de suínos são usados em embutidos, que isso consta nas normas do ministério, dentro de limites estabelecidos no mundo todo.


De acordo com números do governo, de 4.837 unidades frigoríficas sujeitas à inspeção federal, apenas 21 (0,43% do total) estão supostamente envolvidas em eventuais irregularidades, enquanto dos 11 mil funcionários do Ministério da Agricultura, apenas 33 estão sendo investigados.


Exportações

A principal preocupação deste escândalo é quanto as exportações e também quanto ao consumo interna. União Europeia, Hong Kong, China, Coreia do Sul e Chile também anunciaram restrições temporárias a produtos brasileiros. Os países também anunciaram o aumento na fiscalização da carne originada do Brasil.


No fim da tarde desta segunda-feira (20), o ministro da Agricultura, Blario Maggi, afirmou que proibiu, preventivamente, a exportação de carnes produzidas pelos 21 frigoríficos investigados na operação Carne Fraca. A comercialização dentro do Brasil foi mantida.


Mato Grosso do Sul

O setor produtivo de Mato Grosso do Sul também está preocupado com a repercussão, tanto que, nesta segunda-feira, se reuniu para reiterar a confiança na segurança e qualidade da carne produzida no estado e no país. As entidades ressaltam o trabalho exemplar realizado pelos fiscais agropecuários de Mato Grosso do Sul que, por muitos anos, desenvolvem suas atividades de forma ética e responsável.


“Temos total confiança em todos os elos da cadeia produtiva do Estado. Precisamos mostrar à sociedade que temos uma carne de qualidade, passando por uma rigorosa inspeção diária, por isso sempre foi mundialmente respeitada e consumida”, ressaltou o presidente da Famasul, Mauricio Saito.


Para o secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar, Jaime Verruck, é preciso que medidas sejam tomadas de imediato para conter possíveis reações negativas dentro e fora do Brasil. “Mais de 80% da nossa produção é comercializada no mercado interno, precisamos esclarecer ao nosso consumidor que a nossa carne atende as exigências no quesito sanidade”.


Por: Assessoria de Comunicação do Sinterpa (Com informações do Estado de S. Paulo, El País. Mapa, Famasul e CNA)

Foto: Marco Antônio/RBS TV

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