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Agricultura familiar de MS comprova que também tem espaço no mercado de tecidos nobres


Mais do que ser a capital do leite em Mato Grosso do Sul, a cidade de Itaquiraí mostra que suas riquezas ultrapassam o verde do pasto podendo chegar até mesmo às passarelas e grifes famosas de todo o mundo através da criação do bicho-da-seda.


É na agricultura familiar, em barracões de pequenos sítios como o do agricultor Lafaete Deodoro, do assentamento Santo Antônio, em Itaquiraí, que as lagartas encontram o ambiente propício para desenvolvimento e produção do tão cobiçado casulo que dá origem ao tecido cujo toque, beleza e qualidade se sobressaem sobre os demais.


Só em 2016, foram quase 94 toneladas produzidas a partir do trabalho de 70 famílias de agricultores de Itaquiraí. “Antes trabalhávamos com gado, mas vi que estava fracassando e apelei para o bicho-da-seda. O senhor João, da empresa Bratac, esteve lá em casa e me incentivou e, desde então, estamos bem graças a Deus”, lembra o agricultor Lafaete Deodoro, que há dois anos atua no ramo.


Para Lafaete, o maior desafio está na fase da alimentação, pois os animais passam horas a fio devorando folhas de amoreiras frescas. “Na quinta idade, eles comem exageradamente e a gente passa muito tempo cuidando para que não falte alimento, mas é como sempre digo, o bicho-da-seda comendo vai dar produção. Se ele comer pouco, ele vai dar pouca produção. Então, a gente tem que incentivar para tratar bastante do bicho para não dar pouca renda”, comenta o produtor que divide a jornada de trabalho com a esposa Ana Regina Rodrigues.


Produção

A maior produção de seda brasileira é originada de três estados sendo Paraná (2.370 toneladas), São Paulo (343 toneladas) e Mato Grosso do Sul (143 toneladas). Itaquiraí é responsável por mais da metade da produção sul-mato-grossense de seda, sendo o restante dos casulos oriundos de Novo Horizonte do Sul, Ponta Porã, Deodápolis e Glória de Dourados.


Os casulos que são produzidos nos barracões da propriedade do agricultor Lafaete seguem viagem até o Paraná, principal base da Bratac, empresa 100% brasileira que atua no ramo da fiação de seda há mais de 70 anos.


“Eu já pensei nisso, na verdade, que a seda de marcas famosas e caras vem de locais simples como é a minha chácara. Hoje, na mesa dos grandes políticos estão os alimentos da agricultura familiar. No corpo dos nossos políticos estão os nossos tecidos. Então, digo que os políticos devem olhar com mais carinho e dedicação a nós que somos da agricultura familiar”, afirma em tom de quem sabe que o futuro do Estado também passa pelas pequenas porteiras de assentamento, comunidades quilombolas e aldeias.


Fonte: Assessoria de Comunicação Agraer

Fotos: Néia Maceno/Assessoria de Comunicação da Agraer