Tecnofam: Oficinas, pesquisas, técnicas de manejo e novas tecnologias para agricultura familiar

20.04.2018

Realizada de 17 a 19 abril, a 3ª Tecnofam (Tecnologias e Conhecimentos para Agricultura Familiar) reuniu técnicos, profissionais, pesquisadores e agricultores familiares, em Dourados. Foram apresentadas pesquisas, técnicas de manejo e novas tecnologias para agricultura familiar e realizadas oficinas de fruticultura e do setor leiteiro.

 

Um dos espaços foi dedicado à pesquisadora da Agraer, Cássia Regina Viera, e ao técnico agrícola Gilberto Macedo, que apresentaram uma técnica adotada para evitar problemas de pragas no cultivo de goiaba como a mosca-da-fruta, por exemplo. Pedaços de papel amanteigado são amarrados junto às folhas das goiabeiras evitando que a fêmea da mosca-da-fruta, deposite seus ovos.

 

A técnica ainda evita consideravelmente o uso de inseticidas. “Visivelmente o saquinho parece com o de pipoca, mas não é. Aqui é explicado que tem que ser um adequado como esse amanteigado que não interfere no desenvolvimento da goiaba”, alerta a pesquisadora Cássia Regina Vieira.

 

Flores

No evento de agricultura familiar, foi construída uma unidade demonstrativa de flores ornamentais dos engenheiros agrônomos Flávio Ferreira e Francimar Perez, respectivamente, da Agraer e da Semagro. Um ponto interessante das flores está na sua resistência. “Diretamente no chão, as flores aguentam até 40 dias. Os arranjos duram de 15 a 20 dias”, avalia o engenheiro agrônomo Flávio Ferreira.

 

As espécies escolhidas para o experimento se adaptam muito bem ao clima de Mato Grosso do Sul. Além de ser interessante dentro da agricultura familiar pelo fácil manejo de cultivo, durabilidade das flores e procura no mercado. “É um estudo que vem sendo feito pela pesquisadoras Liliane Kobayashi e Francimar Perez para definir as melhores épocas de plantio dessas flores tropicais. Em Campo Grande, há uma área no Cepaer [Centro de Pesquisa e Capacitação da Agraer] só para cultivo das flores”.

 

Oficinas

Os técnicos da Agraer ministraram cursos sobre fruticultura e produção de leite para os agricultores familiares. Manga, goiaba, jabuticaba, limão, laranja, polca, mamão e uva são algumas das frutas escolhidas para serem abordadas na oficina “Enxertia de mudas de frutíferas e outros métodos de propagação de plantas”.

 

“O enxerto é a técnica que consiste em usar duas variedades da mesma espécie na produção de uma muda, o enxerto (cavaleiro/garfo) e o porta-enxerto (cavalo)”, o técnico da Agraer de Ivinhema, Valdeci da Silva.

 

Segundo a técnica da Agraer de Ivinhema, Teonília da Silva, são ensinadas as técnicas de enxertia ‘inglês simples’ e ‘fenda cheia’. “A primeira recomendada para citrus – limão, laranja, polkã, já a outra é para uva e manga. Também explicamos sobre o cultivo de plantas a partir de sementes e pela clonagem, que é pegar uma parte da planta para ter outra”, diz a técnica. A partir dessas técnicas obtêm-se plantas mais resistentes a pragas e doenças, frutas mais saborosas.

 

Na oficina “Boas práticas de manejo na produção de leite”, o engenheiro agrônomo da Agraer de Vicentina, Paulo Lobo, falou sobre poder de decisão e escolha de técnicas simples desde a alimentação do rebanho até a negociação com os laticínios ou a implantação de uma agroindústria, medidas essas que podem agregar valor ao leite e seus derivados.

 

“Ter uma visão macro e micro da produção de leite faz a diferença na propriedade. O associativismo é outro ponto que dentro de um assentamento também deve ser levado em conta. Há uma constante queixa dos pequenos produtores sobre o preço do leite que está baixo. Uma alternativa a se pensar é o trabalho coletivo que oferece maior poder de negociação frente aos laticínios”, destaca Lobo.

 

Casos de sucesso como a Cooperativa de Leite de Dois Irmãos do Buriti – Cooperdib, que chega a produzir diariamente de 15 a 25 mil litros de leite, ou a Asplan – Associação dos Produtores de Leite do Assentamento Auxiliadora, da cidade de Iguatemi, que tem uma produção entre 25 a 30 mil litros de leite/dia. “Sabe-se que mexer com leite não é uma atividade muito fácil. Porém, é possível conseguir bons resultados e a Agraer vem mostrar isso e ouvir estes produtores que nos procuram”, finaliza.

 

A Tecnofam foi realizada pela Embrapa, em parceria com o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, por meio da Agraer, Semagro e Fundo para o Desenvolvimento das Culturas de Milho e Soja (Fundems). O evento ainda conta com outras instituições públicas e privadas ligadas ao setor produtivo.

 

Com informações da Agraer

Fotos: Néia Maceno/ Assessoria de Comunicação Agraer

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