Ater Pública pode reduzir o desperdício de alimentos no Brasil

06.01.2020

O relatório de 2019 da FAO "O Estado Mundial da Alimentação e da Agricultura" (SOFA, sigla em inglês) concluiu que a América Latina e o Caribe são responsáveis por 20% da quantidade total de alimentos perdidos desde a pós-colheita até o varejo.

 

O motivo? Segundo o relatório da FAO, as principais causas de perdas nas propriedades rurais incluem a colheita no momento errado, as más condições climáticas, as práticas incorretas de colheita e de manejo e os desafios na comercialização de produtos.

 

Isso se confirma quando conversamos com os produtores rurais, que afirmam constatar que, muitas vezes, cometem erros na produção antes de receberem assistência técnica das Emateres. É o que diz o casal Elisabeth de Souza Araújo, 61 anos, e Francisco Alves de Araújo, 65 anos. Eles possuem uma propriedade de quatro hectares localizada no assentamento Vale do Lírio, município de São José de Mipibu (RN).

 

Segundo o casal, antes de receberem assistência técnica continuamente da Emater/RN, eles empregavam conhecimentos de maneira informal e usavam agrotóxicos, pois não conheciam outra forma de combater as pragas. “Sem assistência técnica, também não teríamos conseguido produzir tanto. Conseguimos aumentar nossa renda”, comentou Francisco.

 

Desperdício na produção

Segundo a FAO, a necessidade de reduzir o desperdício de alimentos está integrada à Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Essa redução é considerada importante internacionalmente para melhorar a segurança alimentar e nutricional, fomentar a sustentabilidade ambiental e reduzir os custos de produção.

 

Como meta internacional, a redução do desperdício precisa ser agenda política brasileira, uma vez que o país busca abrir, cada vez mais, a agropecuária para o mercado externo.

 

Tendo a principal causa do desperdício na colheita no tempo errado, práticas incorretas de colheita e desafios na comercialização, a forma mais eficaz de se combater a perda de alimentos é aumentando a oferta de assistência técnica aos produtores rurais.

 

Como afirma o produtor assistido pela Emater de Rondônia, Luiz Carlos de Macedo, 52, com assistência técnica, o produtor executa práticas corretas de colheita e tratamento da produção evitando desperdício e perda do alimento. “A assistência técnica nos dá o conhecimento técnico e incentivo de usos de produtos no horário adequado, fazendo a poda de formação, produção e condução na lavoura de maneira correta. Aqui na minha propriedade tivemos uma mudança na visão”, afirmou o produtor.

 

Além disso, a Ater Pública fornece assistência no pós colheita, com informação e auxílio na comercialização, incentivando os produtores a participar de políticas públicas de acesso aos mercados institucionais, como o Programa de Aquisição de Alimentos, e ensinando formas de comercialização. “Nós orientamos que seja feito a venda direta, PAA, PNAE, CONAB e o excedente ensinamos a reaproveitar os alimentos promovendo cursos e demonstração de métodos”, argumentou a pedagoga e extensionista social da Emater/RO, Helenice Correia.

 

O aproveitamento integral de alimentos, com técnicas ensinadas por meio de oficinas das Emateres, tem gerado bons resultados. “Acontece muito com frutas maduras, principalmente a banana. Se estão muito maduras, não vendem, vão para o lixo ou para alimentação animal. Ensinamos as famílias a produzir doces de banana em tablete, evitando o desperdício e aumentando ainda mais a renda”, disse o extensionista da Emater-RN, Sandro Siderley, 38 anos, técnico em agropecuária.

 

Assistência técnica contra o desperdício

A assistência técnica e extensão rural auxilia o produtor desde o início da produção até a comercialização com incentivo de técnicas sustentáveis e reaproveitamento de alimentos para não haver desperdício.

 

Para o presidente da Associação Brasileira das Entidades Estatuais de Assistência Técnica e Extensão Rural (Asbraer), Nivaldo Magalhães, investir na Ater Pública é fundamental para o desenvolvimento sustentável da produção agropecuária, da segurança alimentar e do crescimento econômico do país.

 

“A Ater Pública é de fundamental importância para o desenvolvimento do meio rural. Além de prestar assistência a quem abastece a mesa do brasileiro, que é o pequeno produtor e o agricultor familiar, a Ater Pública está sempre buscando novas técnicas de produção que facilite o trabalho do produtor e sempre pensando na sustentabilidade ambiental. Além disso, fornecemos subsídio para ajudar no aumento de renda, geração de emprego e redução do desperdício. Muitos dos assistidos pelas Emateres conseguiram reaproveitar alimentos que antes iriam para o lixo, fazendo doces, compotas entre várias outras coisas e, com isso aumentar sua renda e, muitas vezes, empregando mais pessoas em sua propriedade rural para lhe auxiliar”, afirmou Nivaldo.

 

Cooperativismo como uma das soluções

O cooperativismo cumpre um trabalho importante de apoiar os pequenos produtores para viabilizar suas atividades seja na comercialização, armazenamento ou processamento da matéria-prima. Sendo assim, uma das formas de colaborar com a redução do desperdício é fomentando o cooperativismo.

 

As cooperativas agropecuárias contribuem para a inclusão de produtores, independentemente de seu tamanho e sistema de produção. Elas possuem um papel fundamental para manter o agricultor no campo, fomentando a comercialização de seus produtos e fornecendo serviços aos cooperados. Nesse sentido, o auxílio à produção e aumento da produtividade está ligado diretamente ao sucesso de toda a Cooperativa.

 

O serviço de assistência técnica e extensão rural, além de levar informação e orientação técnica, representa, nas cooperativas, incremento de renda e inclusão produtiva, sobretudo para a agricultura familiar ao viabilizar mais possibilidades de comercialização da produção e assim, trabalhando a coletividade, otimiza o cooperativismo promovendo aumento de renda e geração de emprego em todo o município onde se situa a cooperativa.

 

O cooperativismo colabora para ampliar o alcance de Ater aos pequenos produtores e agricultores familiares, ajudando, assim, a fornecer as técnicas necessárias para a redução do desperdício de alimentos.

 

Além disso, o armazenamento dos alimentos também é uma variável no desperdício de alimentos. Sem o armazenamento correto, os produtores perdem seus produtos. As cooperativas viabilizam o devido armazenamento e, com isso, colabora para a redução do desperdício. “O cooperativismo é um jogo de ganha-ganha. A cooperativa junta um coletivo de produtores que se ajudam mutuamente e colabora na garantia de assistência técnica e extensão rural para mais pessoas. Isso, além de ser muito positivo para o ambiente rural, é bom para o produtor, que otimiza seu trabalho, para o consumidor que recebe mais alimentos de qualidade e para o país, que ajuda a reduzir o desperdício entrando na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e possibilitando a abertura de portas para o mercado externo”, argumentou o presidente da Asbraer Nivaldo Magalhães.

 

Com mais Ater Pública, o país conseguirá reduzir o desperdício de alimentos garantindo a segurança alimentar e aumentando a geração de emprego e renda, fazendo crescer a economia brasileira.

 

Fonte: Asbraer

Foto: Axel Mellin/Pixabay

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