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Mulheres fazem a diferença em Anastácio e trabalho da Agraer é reconhecido


Izabel, Maria da Penha, Lucila e Odilia garantem a renda com os frutos do Cerrado. Elas integram a Associação de Mulheres do Assentamento Monjolinho (Amam), em Anastácio, e contam com a assistência técnica dos servidores da Agraer. Conheça a história da entidade e como a produção transformou a vida dessas mulheres:


Amam

A Associação de Mulheres do Assentamento Monjolinho (Amam) nasceu a partir da necessidade de registrar a comunidade no Programa do Leite, durante o governo de José Sarney. “Para conseguirmos leite para as crianças e as grávidas, a gente tinha que fazer um cadastro”, relembra Maria da Penha Macedo da Cruz, uma das fundadoras da Amam. A partir daí se juntaram para formar o Clube de Mães.


Com os saberes tradicionais dos agricultores aliado ao conhecimento científico de técnicos e pesquisadores de diferentes Instituições (Agraer, CPT, UFMS...), o grupo começou a desenvolver trabalhos, em 2006, para aproveitar a grande disponibilidade de frutos e viram a importância da preservação do Cerrado. Atualmente, o beneficiamento de frutos é umas das principais atividades econômicas para muitas famílias.


Projeto Inicial

Com a valorização dos frutos de Cerrado, iniciou-se a produção de mudas para recomposição e o beneficiamento de cumbaru no Assentamento Monjolinho, com o apoio de um projeto de pesquisa do Cepaer/Agraer, financiado pelo CNPQ.


Com ações deste projeto foi formado um grupo de mulheres que com sua animação acabaram por trazer seus familiares para o trabalho de processamento. Foram feitas várias oficinas para a capacitação do grupo e viagem de intercâmbio.


Uma Unidade de Beneficiamento de cumbaru (despolpamento e extração da amêndoa) foi construída na agrovila do assentamento. Neste período, o trabalho do grupo estava concentrado somente na produção de castanha do cerrado torrada. Em 2011, a pesquisa foi encerrada e a unidade de beneficiamento e todos os equipamentos foram cedidos para o grupo, que começou então a fazer todos os trabalhos, desde a colheita dos frutos até o processamento e a comercialização, por conta própria.

Expansão

Em fevereiro de 2012, o grupo participou da Feira da Agricultura Familiar e Economia Solidária do Município de Anastácio. Com a participação em outras feiras, o grupo iniciou a diversificação de produtos. Atualmente, além da castanha torrada, produz: pães, bolos, bombons e doces com a castanha do cerrado, creme e óleo de pequi, farinha de jatobá e polpa de mangaba.


Para fortalecer a experiência, em 2013, o grupo foi contemplado pelo Edital PPP-Ecos com o Projeto “Unidade de produção de alimento a base de frutos do cerrado”, que permitiu ampliar a estrutura de beneficiamento possibilitando que todos os produtores pudessem produzir conforme as exigências da Vigilância Sanitária. Inclusive, alguns equipamentos tiveram que ser adquiridos.


Em 2015, através do Projeto Cadeias Produtivas do Pequi-MS, executado pelo Instituto Marista de Solidariedade (IMS) o grupo foi beneficiado com capacitação sobre apresentação (layout) de produtos e, em 2018, através do Projeto de Economia Solidária, foi concretizada a aquisição de um veículo.


Extensão Rural presente

A Agraer de Anastácio assessora o grupo para participação em Políticas Públicas de Comercialização e compra governamentais, como o PNAE e PAA. Como já possuía CNPJ, foi aberta a Inscrição Estadual na Sefaz, emitida a DAP-Jurídica (Declaração de Aptidão ao Pronaf), e inclusão no Programa Prove Agroindústria da Agraer/Semagro. Todas essas conquistas trazem algum benefício à Associação, possibilitando a sustentabilidade da Amam no mercado.

A presidente da Associação, Maria da Penha, agradeceu o apoio dos servidores da Agraer e declarou que desde 2019 as associadas recebem pelas suas entregas no PNAE, mensalmente, um pouco mais que um salário mínimo. Isto demonstra que a organização e a cooperação das produtoras aliada ao acompanhamento permanente da Assistência Técnica e Extensão Rural Pública faz a diferença na vida das pessoas do campo, aumentando suas rendas, abrindo novos horizontes, valorizando seu trabalho e sua cultura e, finalmente, melhorando a qualidade de vida de suas famílias.


Texto: Fernando Nascimento/Diretor Executivo da Agraer

Fotos: Escritório da Agraer de Anastácio

Foto capa: Sara Almeida Campos/De Olho nos Ruralistas (2019)